You look around but there's no one there
When the empty cup means the end of the day
You want to ask her one more time to stay
So you light up and pick up the phone
But that's when you remember she's gone
While filling up to make things right
Poderia escrever que te amo.
Poderia descrever como o Mundo inteiro muda quando estou a teu lado, como o céu fica mais azul, o Sol mais brilhante e as estrelas mais minhas. Poderia sorrir ao dar-te a mão, só pelo simples toque de tua pele àspera na suavidade da minha. Poderia até olhar-te nos olhos e prometer-te uma vida…
Poderia fazer-te crer que já não me deixo enfeitiçar por magia velha. Sim, poderia deixar-te cair nessa triste mentira e ingenuamente te deixarias ludibriar. Sei bem quanto precisas de acreditar mas a alegria estampada em teu rosto enquanto actuo não me chega para prosseguir com a farsa. Será talvez hora do pano cair.
Magia velha deixa raízes profundas que continuam a despoletar desejos cada vez mais fortes até prevalecerem aos mais básicos instintos da mente. Sinto-a a apoderar-se de mim de novo, essa magia que tanto tempo me dominou. Não encontro maneira de a dizimar! Tentei tirá-la de mim e da minha mente e todos os esforços foram inúteis. Tentei que saisse dos meus sonhos, do meu corpo, do meu passado e tudo o que consegui foi alimentar esse fogo que me consome, que me consumiu ao ponto de ser tudo o que me resta e me alimenta. Fogo sagrado e maldito!
No silêncio do desespero o meu nome soa e meus ouvidos tapados de sonhos misturam as vozes. Vens e eu, de tanto querer, confundo as imagens. Teu toque, sinto-o suave, teus olhos são outros já e perco-me numa boca agridoce sem saber quem me abraça. Meu desejo tolda-me os sentidos e afoga-me a mente até à exaustão. Deixa-me,assim, dizer-te que te quero... Poderia dizer que te amo.
A esta raiva que me preenche, que me inunda completamente, só a ela escrevo agora. Só a ela vejo, só ela sinto, só ela sou. E no que me tornei, nesta mescla disforme e inquieta de dor, confusão e ressentimento! O que eu fui, e não há tanto tempo assim, e no que ela me transformou… Ira dominadora, ira plena, ira negra, esta ira que é minha e que me tem, tal qual uma marioneta
- Push push another string and here I go, throwing another punch, stepping another line
E afinal raiva de quê ou de quem? De mim, de ti, dele e dela e de nenhum. Do Sol que teima em não aparecer, do vira-vira-vem-vem-puxa-puxa, do passatempo avassalador a que chamo trabalho, do dinheiro que não cai do céu, do “Felizes para sempre” que teimei em acreditar
- Nothing compares to you though, and to the love we feel
Amor esse palpável, eléctrico e denso, que teima em não se deixar inspirar sem suor na pele. Amor crescente na decadência do júbilo e do vício, esse vício que tanto fulgor me dá, tanta ira pela impotência em resistir-lhe, em ser eu e forte de novo. Afogo-me em raiva a cada raiar do dia para em cada romper da noite te ter que inspirar às golfadas, sufocando-me em mim
- Try not to fall asleep to dream, try not to fall to scream, try not to fall at all
Um desejo impotente à sua criação, o de união eterna e plena de almas. A esperança de que a moeda caia do lado errado por uma vez. E a raiva subjacente ao ego.
Nov 2011
Se apenas tu soubesses quanto significas, quão crucial a tua presença é em mim... És-me tudo, sabê-lo bem, mas mesmo assim acreditas nada ser. Como se o resto do Mundo fosse algo comparado a nós! Como se algo mais importasse do que o facto de haver o "nós" ou como se o futuro fizesse sentido em algo mais do que na prolongação desse mesmo "nós"... Desse "nós" que se tornou na verdade tudo o que sou, tudo o que és. Dentro dele, dentro de mim, a tua beleza ofusca e o teu Amor é uma dádiva. Se eu sou o arcanjo face aos outros anjos menores, tu és muito mais do que isso, tu ascendes à divindade.
Por vezes sonho (a maior parte delas sem dormir) em visitar as cobiçadas paisagens do teu país, conhecer a tua tão bem falada cidade natal e, enquanto feliz em férias (do mundo lá fora), encontrar-te-ia num pôr do Sol digno da sua fama irlandesa... Como desenrolo a minha imaginação demasiado fértil já to confessei, éramos ainda felizes juntos. Mas, tal como uma nuvem tapando o Sol, a realidade impõe-se e a desistência toma as rédeas de meus etéreos sonhos.
Precisava de um quarto escuro, num qualquer sítio distante, onde pudesse simplesmente chorar, só eu, sem nada nem ninguém... Nem de comida eu precisaria, só água, qual prisioneira (de mim própria, por certo, mas de igual maneira prisioneira) Não precisaria da tua mão para me amparar, deixar-me-ia simplesmente (ca)ir, indefesa. Não tentaria impedir as lágrimas, a dor, nem mesmo a queda. Seria como a pena na tormenta, o grão de areia sendo levado pela corrente... E a última coisa de que eu precisaria seria a praia, o Sol, a cessação da dor. Porque saberia que mais cedo ou mais tarde o quarto se iluminaria de alguma maneira e eu teria de abrir os olhos e sorrir, sem que o meu desejo se tivesse cumprido.