Desejos....

Mais uma vez dou por mim secretamente reprimindo desejos inconscientes... (Uma acção a que recorro demasiadas vezes para ter plena consciência de que o faço, mas que nem por isso deixo de o fazer) E que desejos tão sombrios! Escuros demais para que de sonhos pudessem ser chamados. Decido por uma vez iluminá-los, atirar-lhes uma corda para que emerjam do poço sem fim que é a minha mente e me percorram até sairem esforçadamente, demoradamente, dando corpo a receosas letras e palavras... Esta é portanto, a voz dos meus mudos desejos, sem que eu me deixe silenciá-la:

Precisava de um quarto escuro, num qualquer sítio distante, onde pudesse simplesmente chorar, só eu, sem nada nem ninguém... Nem de comida eu precisaria, só água, qual prisioneira (de mim própria, por certo, mas de igual maneira prisioneira) Não precisaria da tua mão para me amparar, deixar-me-ia simplesmente (ca)ir, indefesa. Não tentaria impedir as lágrimas, a dor, nem mesmo a queda. Seria como a pena na tormenta, o grão de areia sendo levado pela corrente... E a última coisa de que eu precisaria seria a praia, o Sol, a cessação da dor. Porque saberia que mais cedo ou mais tarde o quarto se iluminaria de alguma maneira e eu teria de abrir os olhos e sorrir, sem que o meu desejo se tivesse cumprido.
E eu sei que quando tivesse já tudo chorado e emergisse da escuridão desse esconderijo, tu lá estarias para mim, para me amparar e dizer que já tudo tinha passado...
E aí (re)ssurgiria a irreparável sede que tenho do teu Amor, de te amar plenamente, sem limites! Por vezes sinto que nos restringimos demais... Sei que levantamos barreiras entre nós de dia para dia mas mesmo assim um grito em mim ecoa de que nos falta ainda muito caminho para percorrer.
Tudo em mim anseia por estar contigo, por te ter em meus braços, por te tocar e ser tua... Cada beijo, inocentemente repleto de luxúria, nos une um pouquinho mais, mesmo quando pensamos que tal já não é possível. Intoxicas-me com o teu perfume, enebrias-me com o teu toque e vicias-me no teu Amor. Amo-te demasiado, mais do que é são amar, e mesmo assim adoro-o. Fazes-me feliz com a tua loucura e o teu Amor, sou plena só em ti. Cada vez que me tomas em teu coração é especial, divinal até... Levas-me ao céu e mais longe, meu anjo... E mesmo assim arquejo por mais! Porque no fundo sabemos que podemos ir mais longe. Não bastam promessas (ou certezas) de uma vida em comum, quero-te por inteiro. Nunca fui uma pessoa ciumenta mas fazes com que me roa por dentro com o brilho no teu olhar e o teu sorriso ao mencionares outros nomes... E sei que também o sentes (nunca conseguiste disfarçar os ciúmes e a irritação quando sou eu que o faço sem querer) Sou tua, sei que sabes, sei também que te tenho e que é a maior das loucuras tudo o que fazemos mas é-me superior aquilo que sinto, é-te superior a maneira com que me prendes, é-nos superior o que nos une... Como posso ter mais, se já me dás tudo, se te dou tudo, se um só toque nos faz despir de todas as inibições da vida mundana? Mesmo assim, sei que um dia vou ter mais, muito mais...
E já tive tanto... Deixei-te fugir, sei-o, não importa quão veemente o negaste. Negá-lo-ias outra vez agora se o pudesses, conheço-te bem. Mas não podes. Não mais o teu doce toque em minha face, nunca mais a tua mão na minha... Sei (tenho de acreditar) que era isto que querias para mim, que continuasse sem ti. Mas crês realmente que a este andar cadenciado sem alma nem coração se pode chamar Vida? Só contigo e em ti encontrei Vida, feliz na verdadeira acepção da palavra e não apenas enquanto ausência de tristeza. Será que se não tivesses ido eu teria ainda todo este Amor por ti? Secalhar o tempo já teria prestado a sua parte e estariamos alegremente separadas, unidas apenas nas memórias do passado... Talvez te ame apenas porque te amava quando partiste... Sendo assim, não seria mais lógico odiar-te? Nunca fui muito racional ou lógica e provavelmente é isso que ainda me faz querer ir ter contigo... Será talvez esse o meu mais tenebroso desejo, o que tenho tentado renegar, abjurar e abafar todos os momentos desde que não te tenho a meu lado. E sei que não posso! É essa certeza que me consome e me atormenta diariamente e me impede de usar um sorriso que não para ela. É o que me faz usar a mesma máscara todos os dias e só nas mãos dela a repositar de vez em quando. Continuo saudosamente sangrando no fundo de mim por ti todos os dias... Até ter um qualquer quarto escuro num sítio distante para o poder gritar até tudo me doer (para que possa assim ignorar outras dores) será assim que será.
E tu. Tu és o meu maior enigma, aquele que passo os dias a tentar involuntaria e vangloriamente decifrar, sempre em vão. Como todos os enigmas, percebo-te agora melhor do que quando te tinha nas minhas mãos. Percebo todos os meus erros e sei que não os cometeria se houvesse alguma hipótese de termos algo parecido ao que tivemos. A grande questão é se a há. Eu sei que o quero, quero tentar de novo! Desejo poder outra vez sussurrar-te ao ouvido "Amo-te, mana..." sem receios, mas tenho medo demais para o fazer. Sei, no entanto, que se o voltar(mos) a dizer, serei a primeira a fazê-lo. Sempre foi assim, e só agora percebo porquê. Tanto tempo passou e tantos erros foram cometidos até que eu finalmente entendesse que és exactamente como eu. Quanto menos o dizes, mais o sentes.

Névoa

Corro. Possuída por uma força mais do que eu, tomada por inteiro por algo que não sabia existir, mas que começo a amar. Sinto cada poro aberto, cada gotícula de sangue quente injectado nas veias, como que flechas apontadas ao coração.
Acelero. Mais rápido do que achava conseguir, e cada vez mais veloz. Mais e mais. Mais célere que o vento, tão rápida que não sinto já a chuva que me fustigava em rajadas. Mas quem me conduz assim, para lá de mim própria, como uma marioneta? Movo-me para além do tempo e do espaço e acelero... Acelero mais ainda, mais do que cria humanamente possível... Pois não sou humana já. Extrapolei-me de mim e do coração que batia qual cérebro de uma qualquer máquina infernal. Sou agora névoa. Esta bruma que percorre a noite veloz, que te procura no centro da tempestade, sou eu. E sou plena! Sou mais do que alguma vez desejei ser e cada pedaço do meu ser repentinamente se enche de júbilo e prazer! Mas... Será? Sim! Vejo-te! Ainda como névoa e mais do que eu te cerco e num abraço cerrado te escudo da tormenta até que... tudo cessa. A tempestade desapareceu, a chuva não fustiga já, o vento já não assobia por entre os ramos quebrados e as fragéis folhas das àrvores, eu já não corro...
Regresso a mim, renascida como se nunca antes tivesse vivido. Até o sangue que fazia o meu coração bater não corre já, rendido também a esta imobilidade causada pela tua simples presença, pela luz que emanas.
Liberta já do que fui, vejo tudo de uma outra perspectiva, mais nítida. Olho para a distância, para o horizonte, para o lodaçal onde achava que estava bem, de onde corri, de onde me salvaste...
Acorrento-me assim a ti, e tu a mim, esquecendo o resto do mundo e o que fomos. Agora, somos o Fogo que nos enche o coração, somos a Àgua que chove em nós, Somos a Terra que pisamos e o Ar que respiramos. Somos Vida, somos Eternidade! Somos um só corpo e um só coração, meu anjo... Um dia...

Ti turo@

"If" by Rudyard Kipling

If you can keep your head when all about you
Are losing theirs and blaming it on you,
If you can trust yourself when all men doubt you
But make allowance for their doubting too,
If you can wait and not be tired by waiting,
Or being lied about, don't deal in lies,
Or being hated, don't give way to hating,
And yet don't look too good, nor talk too wise:

If you can dream--and not make dreams your master,
If you can think--and not make thoughts your aim;
If you can meet with Triumph and Disaster
And treat those two impostors just the same;
If you can bear to hear the truth you've spoken
Twisted by knaves to make a trap for fools,
Or watch the things you gave your life to, broken,
And stoop and build 'em up with worn-out tools:

If you can make one heap of all your winnings
And risk it on one turn of pitch-and-toss,
And lose, and start again at your beginnings
And never breathe a word about your loss;
If you can force your heart and nerve and sinew
To serve your turn long after they are gone,
And so hold on when there is nothing in you
Except the Will which says to them: "Hold on!"


If you can talk with crowds and keep your virtue,
Or walk with kings--nor lose the common touch,
If neither foes nor loving friends can hurt you;
If all men count with you, but none too much,
If you can fill the unforgiving minute
With sixty seconds' worth of distance run,
Yours is the Earth and everything that's in it,
And--which is more--you'll be a Man, my son!


Or a damn woman!!

A Efemeridade da Eternidade









Disseste-me "para sempre" e eu, ingénua por uma vez, acreditei. E à luz dessa ilusão me revesti de sonhos de um futuro a teu lado e de queridas memórias por acontecer.
Depois, tudo se despedaçou; os sonhos, as memórias (as do passado e as do futuro), e eu... E foi enquanto as lágrimas eram derramadas nos pedaços de nós que me apercebi o quanto ingénua fora ao crer nas tuas vãs promessas. Não que tenhas mentido voluntariamente ou que me quisesses magoar, não creio que fosse por crueldade que o fizeste. Simplesmente não sabias o que dizias. Nem tu, nem eu, nem ninguém, pois quem promete a eternidade baseia-se apenas num sentimento efémero do presente e em vãs esperanças de que ele se mantenha. O que depois se descobre é que a eternidade, aquele "para sempre" proferido tão convictamente, tende a escapar-nos por entre os dedos das mãos quando menos esperamos. E que o Amor, esse sentimento volátil, sobrevive apenas na luta diária por ele mesmo e às vezes as palavras ditas no fulgor da batalha são desprovidas de significado na derrota.
No entanto, continuamos credulamente, derrota após derrota, a prometer-nos na eternidade. Mas eu sou diferente. Eu já não o voltarei a fazer.
A dor a que chamo tua (pois é-te devida) mudou-me ao ponto de já não reconhecer a imagem no espelho. Perdi toda a emoçao, todo o sentimento. Tornei-me uma sombra do que fui e, como tal,distante, fria... Não me digno a sentir, não sei já esperar e temo sonhar.
Levaste-me contigo. A minha alma deve certamente ter-se perdido na eternidade pois tenho consciência da opacidade dos meus olhos. Dizem-me que perdi o brilho que neles tinha. Eu só sei que te perdi, que perdi a eternidade.
Mas a eternidade é relativa....
Serei eu a única a aperceber-me da efemeridade da eternidade?

Preciso de citar nomes?

Errei.
Voltei a errar, e voltei a fazê-lo por ti.
Mas desta vez apercebi-me do erro antes de o cometer. Mesmo assim prossegui, quase heroicamente, inconsciente de que este seria o ponto de viragem, depois de tanto indignamente o esperar.
Mudei, portanto.
E essa mudança, que tanta vez tinha prometido a mim mesma, por me ser externa, trouxe com ela muito mais do que tinha desejado. Trouxe uma total ausência de sentimento quanto a ti, criando em mim uma aparente apatia de que não me consigo libertar, por mais que tente. E a falta de reacção à tua visão é o que mais me transtorna, pois ao ver-te sou transportada para fora de mim, quando antes era-o apenas para junto de ti.